Quando entrei, o MVP não mostrava o mais importante: quanto cada creator poderia ganhar na plataforma. Sem clareza sobre ganho, não havia motivo pra ficar. E sem creators engajados, as marcas também não tinham o que precisavam.
Além do produto, o time de design precisava ser organizado. Havia um designer. Recursos eram limitados. A decisão foi não resolver o problema colocando pessoas nele.


Comecei então a estudar pra tentar entender os problemas.
Porque a minha hipótese era: O problema não era o produto. Era a ordem da informação e melhorando usabilidade e a clareza sobre recompensas, veríamos mais criadores participando de campanhas e gerando mais renda.


Fiz o diagnóstico completo: análise de navegação com Smartlook, mapeamento de reclamações de suporte, benchmarks com plataformas similares e pesquisa com usuários ativos, ex-usuários e potenciais novos.
Depois dessa etapa, quatro problemas apareceram de forma consistente:
1. Proposta de valor pouco clara: creators não entendiam como e quanto poderiam ganhar.
2. Fluxos extensos e complexos: cerca de 40% abandonavam no meio, citando demora e falta de instrução.
3. Falta de informação nas campanhas: metas de venda, prazo e valor de recompensa ausentes.
4. Problemas de performance e instabilidade: travamentos que derrubavam a credibilidade da plataforma.
Tive dificuldade para finalizar o cadastro, parece ter passos demais e é muito demorado. Desisti!
Se fosse mais simples, eu recomendaria para meus seguidores sem medo.
Os benchmarks confirmaram a direção. Airbnb mostra simulação de ganho antes de pedir qualquer esforço do usuário. TikTok tem marketplace centralizado com transparência de métricas. SocialSoul tem onboarding guiado com linguagem simples. Cada um resolvia uma das dores que o diagnóstico revelou.
Priorizei mudanças de baixo custo de desenvolvimento e alto impacto percebido. Não era falta de recurso. Era princípio.
Proposta de valor no primeiro uso
Marketplace mais legível
Notificações inteligentes
Transparência financeira
Surgiu o Lovrs 1.0, o ecossistema construído e pensado para garantir aos creators o acesso a melhor experiência baseada nas suas necessidades.


Antes
Depois
Em um quarter, todos os números se moveram. Não foi coincidência. Foi consequência de colocar o creator no centro do produto pela primeira vez.
Todos os números do período em que estive na empresa.

A BrandLovers que existe hoje foi construída em cima de um produto que precisava funcionar para os creators, não só para as marcas. A empresa captou quase R$50 milhões, tem 240 mil creators na base e lançou o Creator Pay, uma carteira digital processando 6 mil transações por dia.
A transparência sobre ganho que estava faltando na experiência virou o produto. O Creator Pay é a carteira digital que nasceu da mesma dor que o diagnóstico revelou.
Esse trabalho foi a base disso.

