Research & Product Strategy

O PAN não via, mas a loja sabia.

O Banco PAN queria se tornar referência digital no mercado de financiamento de veículos, e isso significava muito mais do que colocar um formulário na internet.
Empresa
Banco PANResearch & Product Strategy
Ano
2019
Papel
Product Designer
Tags
ServiceResearchUI
Contexto

O Banco PAN queria se tornar referência digital no mercado de financiamento de veículos usados, o maior do Brasil nessa categoria.

O produto digital existente tratava o financiamento como um processo linear e burocrático. Na realidade, o que acontecia no pátio da loja era completamente diferente do que o sistema presumia.

Entrei como designer responsável pelo projeto e passei a liderar 2 designers da consultoria (Fjord/Accenture). Liderava o produto junto com 2 PMs, 1 GPM e a diretoria comercial. A pesquisa e a estruturação estratégica vieram do trabalho que conduzi internamente e alimentaram diretamente a jornada To-Be que foi implementada.

Pesquisa

Comecei com uma Matriz CSD para externalizar tudo que já sabíamos e mapear o que precisávamos validar. A partir daí, estruturei a pesquisa em duas frentes.

Qualitativa: 29 entrevistas presenciais com vendedores de lojas, operadores e gerentes PAN em São Paulo, Baixada Santista e Nordeste.

Quantitativa: survey para 7 mil lojistas, 170 respostas válidas na primeira rodada. Na segunda rodada, 155 participantes, sendo 84 lojistas e 46 operadores de todo o país. Mais 25 entrevistas adicionais entre fevereiro e março de 2019.

Total: mais de 180 participantes entre pesquisa qualitativa e quantitativa.

Principais achados

Empoderamento na ponta

A descoberta mais importante: o operador que conseguia negociar fichas ruins garantia o espaço do PAN na loja. O produto digital precisava amplificar essa capacidade, não substituí-la. Um lojista resumiu a alternativa: 'O operador do Santander hoje é um boneco.'

Percepção de crédito matava conversão

Lojistas estimavam que o PAN aprovava 30 a 40% das propostas. O Santander? 80 a 90%. O problema não era a taxa real, era a assertividade do simulador. Adicionar campos como renda e natureza da ocupação não seria uma dor desde que melhorasse o índice percebido.

50% do dia perdido em formalização

Operadores atribuíam metade do tempo de trabalho a tarefas operacionais. Havia casos de operadores pagando courier do próprio bolso para enviar malotes. Formalização digital era vista como transformadora.

CPF é o centro de tudo

Na priorização de campos, CPF/CNPJ ficou consistentemente no topo para lojistas e operadores. É o primeiro dado coletado, destranca a simulação e conecta toda a jornada. Isso definiu como o fluxo foi reorganizado.
Decisão

Com mais de 180 participantes e 9 hipóteses priorizadas com escala Likert, a direção ficou clara: dados e inteligência de mercado primeiro, gestão de estoque em seguida, features marginais por último.

A jornada To-Be foi organizada em 5 fases: Descobre, Pesquisa e Escolhe, Conhece e Decide, Negocia e Compra e Evolui. Com 9 conceitos de serviço cobrindo todo o ecossistema: lojista, operador, equipe comercial e banco.

O redesign foi dividido em duas frentes. New Beetle focada em simplificar o operacional: isenção de seguro, laudo eletrônico, formalização digital, checkout. Mad Max focada em valor novo: estoque inteligente, simulação fria, integração de gravação no NPV.

Antes

Fluxo linear e burocrático desenhado para o banco. O lojista operava em WhatsApp, OLX e fornecedores. O sistema do banco era só mais um, e não o mais importante.

Depois

Produto construído para amplificar o operador na ponta. Painel consolidado com volume financiado, taxa de aprovação e pipeline. Simulação adaptada por perfil de usuário. Formalização digital integrada.

O protótipo abaixo é o fluxo de simulação desenhado na época. O produto que está no ar hoje em veiculos.bancopan.com.br vem desse trabalho.

Seis anos depois, reimaginei a experiência com o olhar que tenho hoje.

Impacto

O produto que está no ar hoje em veiculos.bancopan.com.br vem desse trabalho. Uma discovery com mais de 180 participantes, campo presencial em múltiplas regiões e hipóteses priorizadas com dados que virou produto real.

Esse foi o trabalho de discovery mais robusto que conduzi até hoje. O mapa de serviço com 9 conceitos cumpriu uma função essencial: alinhar banco, equipe comercial e lojistas em uma visão única do que digital significava para o PAN.

Escala da pesquisa
180+
participantes entre quali e quanti
29
entrevistas qualitativas presenciais
7K
lojistas alcançados no survey
9
conceitos de serviço mapeados
5
fases da jornada To-Be
4
atores do ecossistema mapeados
Aprendizados

Em produtos B2B2C, o usuário que você vê não é o único que importa e às vezes nem é o principal. O sistema era desenhado pensando no fluxo do banco. Mas no pátio da loja, descobrimos que o lojista operava em um mundo de WhatsApp, OLX e fornecedores de confiança.

A descoberta sobre empoderamento na ponta foi a que mais impactou o produto. O operador PAN que negociava e brigava por fichas era o diferencial competitivo real. O produto digital precisava amplificar essa dinâmica, não automatizá-la ao ponto de eliminá-la.

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